“Todo
sábado é assim...” Sete da manhã e ele desperta, só mais dez minutos, e em dez
minutos, lá se foram 40.
___Puta que pariu, estou atrasada!
___Puta que pariu, estou atrasada!
“Todo
sábado é assim...” Alguém já acordou com uma música na cabeça que não sai por
nada?
Então pulo para o banho, mergulho no armário e grito sussurrando: ___Amor, amor, vamos me deixar na rádio. Trinta segundos no micro-ondas e aquele café para enfim começar o dia. Em cima do laço, mas bem na hora, e o patrão avisa: ___Irmã, tenho uma missão nova para você. Véspera do dia das mães e a devo acrescentar aos flashs de todo santo sábado seguir pelos bairros com ouvidos atentos ao som da Princesa do Vale e daí surpreender o ouvinte com uma cesta básica-presente. Missão dada. Assim seguimos, Jota Bê e eu na unidade móvel 01 pelos clientes cantando velhas ofertas imperdíveis. Agora temos apenas uma hora para encontrar/pasmar cinco radiouvintes. Primeira parada, e quem nos ouvia era um belo exemplar descamisado com seus vinte e poucos anos pai de duas que com suas bundas-rica corriam descalças pela areia quente, e que calor. Que cheiro é esse? Jesus, maconha as dez da manhã! Seguimos em frente, e agora nos restam 10 minutos e mais uma cesta. Nossa Doblô tem dificuldade de subir favela e paramos ali mesmo. Vejo ao lado uma senhora de cabelos brancos, vestindo minúsculas florzinhas azuis de algodão em uma cadeira de balanço que me pareceu cochilar. ___Bom dia Dona Maria, posso entrar? Ela me vê e em silêncio me fixa o olhar. Será que é surda? Não ouço tocar a rádio, foda-se, só temos 10 minutos! Passo a mão no portão e atravesso a meia parede igualzinha a da casa da minha vó quando eu era criança. ___Bom Dia! Me aproximo falando mais alto. Como ela cheirava bem. Tão familiar. Johnson’s. Me perdi naquelas rugas profundas e no olhar brilhante atrás da catarata. ___Bom dia minha filha, quer sentar? Explico o porquê de estar ali, entramos no ar e na hora do adeus, toquei suas mãos e vi uma fotografia. ___São meus netos, essa aqui morava comigo, mas foi embora. Esse aqui está preso, matou esse outro aqui. E essa aqui é a mais velha, ela vem aqui as vezes. Sinto falta da casa cheia... Chorei, chorei por que aquelas lágrimas precisavam de companhia. Agora, “Todo sábado é assim...” Me lembro de Dona Maria e pergunto onde a unidade móvel 01 pode me levar.
Então pulo para o banho, mergulho no armário e grito sussurrando: ___Amor, amor, vamos me deixar na rádio. Trinta segundos no micro-ondas e aquele café para enfim começar o dia. Em cima do laço, mas bem na hora, e o patrão avisa: ___Irmã, tenho uma missão nova para você. Véspera do dia das mães e a devo acrescentar aos flashs de todo santo sábado seguir pelos bairros com ouvidos atentos ao som da Princesa do Vale e daí surpreender o ouvinte com uma cesta básica-presente. Missão dada. Assim seguimos, Jota Bê e eu na unidade móvel 01 pelos clientes cantando velhas ofertas imperdíveis. Agora temos apenas uma hora para encontrar/pasmar cinco radiouvintes. Primeira parada, e quem nos ouvia era um belo exemplar descamisado com seus vinte e poucos anos pai de duas que com suas bundas-rica corriam descalças pela areia quente, e que calor. Que cheiro é esse? Jesus, maconha as dez da manhã! Seguimos em frente, e agora nos restam 10 minutos e mais uma cesta. Nossa Doblô tem dificuldade de subir favela e paramos ali mesmo. Vejo ao lado uma senhora de cabelos brancos, vestindo minúsculas florzinhas azuis de algodão em uma cadeira de balanço que me pareceu cochilar. ___Bom dia Dona Maria, posso entrar? Ela me vê e em silêncio me fixa o olhar. Será que é surda? Não ouço tocar a rádio, foda-se, só temos 10 minutos! Passo a mão no portão e atravesso a meia parede igualzinha a da casa da minha vó quando eu era criança. ___Bom Dia! Me aproximo falando mais alto. Como ela cheirava bem. Tão familiar. Johnson’s. Me perdi naquelas rugas profundas e no olhar brilhante atrás da catarata. ___Bom dia minha filha, quer sentar? Explico o porquê de estar ali, entramos no ar e na hora do adeus, toquei suas mãos e vi uma fotografia. ___São meus netos, essa aqui morava comigo, mas foi embora. Esse aqui está preso, matou esse outro aqui. E essa aqui é a mais velha, ela vem aqui as vezes. Sinto falta da casa cheia... Chorei, chorei por que aquelas lágrimas precisavam de companhia. Agora, “Todo sábado é assim...” Me lembro de Dona Maria e pergunto onde a unidade móvel 01 pode me levar.
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